Publicado em: ter, 29 - ago - 2017

Opinião de Primeira – O ouro que nos levam do madeira chega a ter 99 por cento de pureza, por Sérgio Pires

O ouro que nos levam do madeira chega a ter 99 por cento de pureza, por Sérgio PiresA quem interessa manter nossas riquezas intocadas e incentivar a ilegalidade e o contrabando? Quais os grandes motivos que levam grupos internacionais, apoiados por ingênuos brasileiros, a não aceitarem que o Brasil se torne líder mundial na produção de ouro, diamantes, nióbio e tantos outros minérios que temos em abundância? Não seria muito melhor ter a produção controlada, cuidada pelo Estado, com toda a proteção ambiental e recolhendo impostos que em poucos anos nos tornariam um país menos pobre, mais justo e mais progressista? Aparentemente são perguntas simplórias. Talvez o sejam. As respostas é que são complexas.

Rondônia tem que uma das maiores jazidas de diamantes do mundo, mas os discursos ambientalistas, com apoio de autoridades brasileiras de todos os naipes, não permite que ela seja utilizada para beneficiar nem os donos das terra (os índios Cinta Larga, a maioria abandonada e faminta) e nem toda a população do país. Mas aceitam a realidade atual, onde alguns caciques negociam com contrabandistas e permitem que eles levem o máximo da riqueza da terra.

Há caciques que andam de camionetas de última geração, vivendo de forma nababesca, enquanto a tribo se enterra na pobreza.  Quando surge alguém que quer mudar esse quadro nefasto, a gritaria dos mesmos de sempre é geral. A serviço de quem? Aí já passa para aquela complexidade das respostas.

E ouro do Madeira? Aí está outro mistério. Uma das fotos que ilustra o texto de hoje mostra um pouco do ouro de excelente qualidade (chega a ter até 99 por cento de pureza), extraído do rio que corta Porto Velho. Em suas águas, existem toneladas do minério.

Tudo é extraído sem controle, vendido na Bolívia de forma ilegal (lá o preço está melhor do que no Brasil), sem trazer um centavo de impostos aos cofres públicos. O garimpo leva nossas riquezas, sob os olhos complacentes das autoridades e sob os discursos furiosos dos “defensores” ambientais. Ou seja, perdemos o que é nosso e ainda temos que aguentar a mesmice: que não se toque no ouro do Madeira, porque isso pode destruir o rio.

As novas tecnologias, a proibição do uso do mercúrio e outras formas de se dragar o ouro são ignoradas. A intenção parece ser essa mesmo: deixar na ilegalidade, para que alguns enriqueçam e os demais que se lixem. Duplamente punidos (perdendo tudo o que é o nosso e ainda tendo que ouvir os mesmos discursos de dar nojo), estamos como sempre estivemos: sob o jugo de alguns, em detrimento de todos. É o retrato mais puro do Brasil!

ENXUGANDO GELO

A máquina de enxugar gelo da Prefeitura de Porto Velho tem novo operador. Sai Alexandre Porto, um administrador reconhecido, trabalhador e dedicado e entra o médico sanitarista Orlando Ramires, com os mesmos atributos e um pouco mais de experiência. São duas figuras das mais respeitáveis.

Uma desistiu, por não conseguir superar a absurda burocracia que gira em torno do serviço público e da judicialização de tudo, na saúde pública. Outro entra sabendo que terá que enfrentar os mesmos problemas. A questão do atendimento nos postos de saúde, nas UPAs, enfim, em toda a estrutura, não é o maior problema que Semusa. Os problemas intransponíveis  começam quando se tenta tocar em algumas estruturas arraigadas no sistema há décadas, recheadas de “direitos adquiridos” e “imexíveis”.

Passa depois por leis controversas, exigências absurdas, daquelas em que o responsável pode ser criminalizado por não comprar algum medicamento, por exemplo, mas também pode ser até preso se comprá-lo. A saúde pública é refém da burocracia. Pode melhorar aqui e ali, mas enquanto não se mexer na essência, é só enxugar gelo. O competente Alexandre Porto que o diga!

VILHENA DE LUTO

A morte ronda nossas famílias, todos os dias. O que aconteceu em Vilhena, na madrugada deste sábado, foi apenas mais um desses crimes terríveis, que ceifam vidas jovens e que continuarão ceifando, enquanto não mudarmos as leis, tornando uma crueldade como essas digna de uma pena perpétua, sem direito a qualquer benefício.

Dois criminosos, frios, pouco se lixando para a vida alheia, mataram a sangue frio o filho único do ex prefeito José Rover, que tentou proteger o pai, que seria baleado. O garoto, de 21 anos, levou dois balaços mortais. Um dos canalhas foi preso logo e ostentou uma relação de todos os seus direitos, tratando suas vítimas como se elas fossem as culpadas pela pequena tragédia.  O outro é “dimenor”!

Os bandidos não sabem nada sobre seu país, sua cidade, suas vítimas. Mas conhecem de cor o Código Penal e todos os benefícios que eles têm, quando são pegos. Esse assassino, em breve estará nas ruas de novo, para matar outra pessoa. Vilhena está de luto. Rondônia também. Não só pelo jovem que salvou o pai, mas por todos os jovens, velhos, mulheres, crianças, deficientes que são assassinados todos os dias, por bandidos cruéis e impunes.

AS MENINAS MAMÃES

No meio de todas as tragédias sociais que estamos vivendo nesse país de Lulas, Dilmas e Temers, um pior que o outro, há uma especial e assustadora. Mais de 305 mil meninas, na faixa dos 10 aos 14 anos, foram mães, entre 2005 e 2015.

Em Rondônia, esses números ficam no contexto da média nacional. O número de crianças que ganham bebês diminuiu um pouco, mas ainda é por demais preocupante. Há alguns anos atrás, quando foi feita a última pesquisa, das 5 milhões e 200 mil meninas entre 15 e 17 anos, em todo o país, quase 415 mil que já tinham pelo menos um filho. Casos com dois a três filhos, nessa faixa etária, não são raros, infelizmente.

Na grande maioria, as relações amorosas são com jovens ou alguém um pouco mais velhos. Mas há sim muitos casos de gravidez por estupro e, comum também, as ocorrências em que esses crimes são praticados dentro da própria casa. Nesse país tão complexo, cheio de dramas e tragédias, as das meninas-mães se multiplicam, tanto em Rondônia como no Brasil inteiro.

 

 

MOREIRA E O GOVERNO

O deputado e presidente da Força Sindical e do partido Solidariedade, Paulinho da Força, esteve em Porto Velho dias atrás. Como não é daquelas personalidades políticas que atraem público, a vinda dele mobilizou apenas um pequeno número de simpatizantes. Mas serviu, ao menos, para oficializar o nome do ex deputado e agora pré candidato à Câmara Federal, o empresário de Ariquemes, Tiziu Jidalias, como novo presidente regional da sigla.

Mais ainda, Paulinho convidou – e o convite foi aceito – o ex deputado federal e ex senador Moreira Mendes, para ser o candidato da sigla ao Governo do Estado. O Solidariedade ainda está no pacote de partidos nanicos, mas não se pode negar que está crescendo. Não tem grandes lideranças nacionais, além de Paulinho da Força, mas em Rondônia, com os dois nomes envolvidos (Tiziu e Moreira Mendes), está bem representado.

No encontro do Solidariedade, realizado na Assembleia, as únicas presenças mais conhecida no mundo política, afora os poucos do Solidariedade, foram as do  presidente Maurão de Carvalho e do prefeito de Ariquemes, Thiago Flores.

O SENADO E O PMDB

Como os planos de Ivo Cassol e Acir Gurgacz não incluem o Senado, porque ambos querem mesmo é disputar o Governo, em 2018, restarão três nomes peso pesados para concorrerem às duas vagas: Valdir Raupp, que tenta mais uma reeleição; Expedito Júnior, que vem com tudo para voltar ao Congresso e o governador Confúcio Moura.

A tendência natural é que ele e Raupp sejam os nomes do PMDB. Mas será que o partido faria as duas vagas? Qual deles (ou ambos?) teriam votos suficientes para derrubar Expedito, que em todas as pesquisas está na frente, caso decida mesmo disputar o Senado, como tudo indica? E o PMDB correria o risco de deixar de fora do Congresso uma das duas maiores lideranças no Estado? Há sim uma sinuca de bico para os peemedebistas, a essas alturas do jogo político.

Confúcio ainda não anunciou oficialmente se concorrerá ou não no ano que vem. Da porta para fora, tem dito que não disputará o Senado. Mas da porta para dentro, até por pressão dos seus secretários, amigos, seguidores e milhares de eleitores, sabe-se que esse será mesmo o Plano A. Haverá Plano B? Ainda não se sabe. Mas o tempo está correndo e daqui a pouco chegará a hora da decisão…

AMAZONINO OU EDUARDO

O Amazonas vai amanhecer a segunda-feira com Governador novo. Neste domingo, os eleitores vão às urnas para decidir entre Amazonino Mendes e Eduardo Braga, qual deles cumprirá um mandato tampão até as eleições gerais de 2018. No primeiro turno, Amazonino venceu com alguma vantagem.

Ele é apontado como favorito. Se ganhar, será um problema a mais para Rondônia, porque Amazonino faz parte do lobby e defende com unhas e dentes as empresas de transportes fluvial, ou seja, é totalmente contrário à abertura da BR 319 e tem trabalhado contra ela durante anos.

Já o peemedebista Eduardo Braga quer ver a estrada construída, porque não tem nenhuma ligação com o poderoso lobby dos transportadores e suas embarcações. O Amazonas tem nova eleição pela cassação do então governador José Mello e do seu vice, Henrique Oliveira, por compra de votos.

PERGUNTINHA

Alguém aí espera que saia alguma coisa decente, simples e que melhore mesmo o sistema eleitoral brasileiro, nesse Congresso que está tentando fazer uma Reforma Eleitoral no Brasil?

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